sexta-feira, 16 de julho de 2010

BMW 320i JOY


BMW é BMW. Certo, parece simplista – ou bairrista – demais. Mas se há uma coisa que todo mundo sabe é que as marcas premium alemãs estão no topo do ranking quando o assunto é qualidade de construção, dirigibilidade e, principalmente, status. Por isso, é fácil entender o que o comprador de um BMW busca em primeiro lugar.


Porém, como em todo nicho de mercado, há mais de um perfil de consumidor a agradar. Mesmo quando se trata de carros de luxo, existem compradores mais emocionais e outros que consideram mais os aspectos racionais da aquisição. Por causa dos preços exorbitantes para a imensa maioria dos pobres mortais brasileiros, modelos da BMW eram sempre vistos como carros de sonho que só os mais emocionais (e endinheirados) levavam para casa – porque não se importavam muito com o quanto estavam gastando. Mas as coisas mudaram um pouco desde que a marca bávara decidiu ampliar suas vendas no Brasil; ela sabia que isso só seria possível se oferecesse carros mais baratos – opa, “menos caros”.


Um dos modelos mais acessíveis é o 320i Joy, que a BMW passou a disponibilizar desde o fim do ano passado. Não deixa de ser estranho comprar um alemão premium com sobrenome de Celta ou Meriva, mas não se engane: ele é legítimo. E veja só: passou a vender mais até que o Jetta (de janeiro a junho deste ano, foram 1.363 BMWs contra 1.337 VWs). Que o preço menor atiçou o desejo consumista de muitos apaixonados pela marca, não há dúvida. Mas há mais por trás do rostinho bonito.

Vamos começar pelo preço. O preço do 320i nas concessionárias de São Paulo (entre R$ 109,5 mil e R$ 112,5 mil) é mais do que pedem pelos concorrentes Ford Fusion V6 (R$ 99,9 mil), VW Passat 2.0 FSI Turbo (R$ 99,9 mil), Honda Accord 2.0 (R$ 99,8 mil) e Hyundai Azera V6 (R$ 90 mil), ficando no mesmo nível que Citroën C5 (R$ 108,3 mil) e menos que o valor do Toyota Camry V6 (R$ 131 mil), do Mercedes C180K (R$ 119,3 mil), do Chrysler 300C V6 (R$ 134,9 mil), do Chevrolet Omega V6 (R$ 122,4 mil) e do Audi A4 2.0 (R$ 140 mil). O Peugeot 407 V6 não foi considerado porque, apesar do preço semelhante e da boa motorização, está em vias de ser substituído. Já o Subaru Legacy 2.0 foi igualmente desconsiderado porque tem vendas praticamente inexpressivas.


Bom preço, a princípio. Mas a primeira pergunta que deve vir à mente de muita gente é: “Que sentido faz comprar um carro desta faixa de preço, porém com pouca potência, só por causa de status?” Bem, esta pergunta não deixa de ser pertinente. Afinal, o Fusion tem 243 cavalos, o Azera (agora rejuvenescido e anabolizado) rende 265 cv e o Passat, com seu 2.0 Turbo, rende 200 cv. Aí é que está: o 320i até poderia se ressentir da pouca potência (156 cv) do motor 2.0 em relação aos seus concorrentes, mas o torque suficiente (20,4 kgfm), somado ao ótimo desempenho do câmbio seqüencial de 6 marchas com opção de trocas manuais na alavanca, o tira da imobilidade com disposição.

O câmbio, aliás, beira a perfeição. As marcas de aceleração não são estupendas; segundo a BMW, o 320i leva 9,8 segundos para ir a 100 km/h. Mas suas relações de marchas e trocas praticamente imperceptíveis e sempre no momento certo, em qualquer regime de rotação, fazem o motorista pensar que está num carro muito mais veloz. Além disso, se o motorista quiser, ele pode utilizar o recurso das trocas manuais em situações de emergência. Como se não bastasse, o acerto de suspensão, ainda que mais voltado à esportividade, consegue aliar isso a uma boa dose de conforto (em pisos mais conservados) e, principalmente, segurança. Esse alemão faz curvas com perfeição e freia de forma pra lá de eficiente, graças aos discos ventilados nas 4 rodas com ABS e EBD, mais o controle dinâmico de tração que, na iminência de uma derrapagem, praticamente anula riscos levando torque imediatamente para a roda que perdeu tração (a atuação do sistema, aliás, é bem perceptível e antecipada). O safety-pack é completado com airbags frontais, laterais e de cabeça, além de faróis de xenônio. No dia-a-dia, isso importa mais que esportividade.



O único senão aqui fica por conta da altura da suspensão, normalmente baixa nesta linha e agravada pelo perfil mais baixo dos pneus que calçam as rodas com aro 17 desta versão (na 320i Top, curiosamente, elas são aro 16 de série). Não houve nenhum momento, neste test-drive, onde o carro tenha sofrido com as saliências do asfalto, mas imagino o que ocorreria numa entrada ou saída de garagem. Falando em pneus, aliás, este carro não tem estepe, graças à tecnologia run-flat que permite com que se rode com o pneu furado, segundo a BMW, por até 150 km. Por via das dúvidas, melhor prevenir e levá-lo logo para o conserto.

Obviamente, carro não é só desempenho. Para um carro “de imagem” ou que agrega status, espaço pode parecer pouco importante, mas o novo público-alvo que a BMW mira com o 320i com certeza pensa nisso na hora da compra. E ele não faz feio: apesar de não ser muito comprido (4,52 m), ele é largo (1,82 m), tem amplo entreeixos (2,76 m) e um bom portamalas (460 l). O Ford Fusion, por exemplo, apesar de ter 32 cm a mais no comprimento total (4,84 m), tem só 2 cm a mais na largura (1,84 m) e entreeixos menor (2,73 m), o que dá uma boa idéia do ótimo aproveitamento de espaço do 320i. Quanto à pouca altura do modelo bávaro (1,42 m), ela acaba sendo compensada pelo posicionamento mais baixo dos bancos, o que mantém fiel a proposta – ainda que comedida neste modelo – de esportividade da marca.



Mas vamos combinar: o que mais chama a atenção neste carro é a excelência do acabamento, a sensação imediata de luxo e conforto que os ótimos materiais e a primorosa qualidade de montagem proporcionam ao condutor. Até o couro dos bancos, portas e do volante não parece sintético. Os bancos, aliás, são esportivos (de ajuste manual, em vez de elétrico) e abraçam perfeitamente até corpos mais avantajados, como o meu, e o volante tem pegada perfeita. Ainda que não se veja ali madeira ou outros materiais tão nobres, a sensação de qualidade é inegável, com apliques prateados e materiais emborrachados por toda parte, sempre muito agradáveis ao toque. E o silêncio à bordo nos convida a esticar a viagem.



Só que não dava para esticar mais, era só um test-drive. Sair do 320i, bem como de qualquer outro BMW, chega a ser algo deprimente; a gente quer ficar ali para sempre (dirá nos modelos superesportivos da marca). Mas calma, se você ainda tem em mente considerar este BMW em sua próxima compra, existem outros argumentos que podem lhe convencer. Apesar de não trazer teto solar, bancos traseiros bipartidos, sensor de estacionamento (que pode ser instalado na concessionária) e ar condicionado digital (nesta versão ele é manual), itens que só aparecem no 320i Top, a Joy tem, além de tudo que já foi citado, sensor de chuva com acionamento automático dos faróis baixos, lavador de faróis, sistema de som original BMW com CD/MP3 e autofalantes Hi-Fi, computador de bordo, volante multifuncional, retrovisor eletrocrômico, apoio de braços dianteiro, faróis de neblina, parabrisas degradê e o “básico” para qualquer carro de luxo: direção elétrica com ajuste de altura e distância, vidros, travas e retrovisores elétricos, alarme perimétrico e cruise control. A garantia é de 2 anos. Tá bom pra você?

24 comentários:

  1. OLÁ GOSTEI DO SEU BLOG VAMOS FAZER A PARCERIA EM DESTAQUE NO MEU BLOG OK

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  2. Boa noite! Gostei muito do texto, estou pensando em comprar o carro e me ajudou muito. A dúvida crucial é a seguinte: onde vc viu que a Joy tem sensor de chuva e cruise control??? A informação não está errada??? Liguei em duas concessionárias e ambas me disseram que na Joy não tem piloto automático e nem sensor de chuva. Como não quero ser enganado, gostaria que conferisse a informação! Aguardo um retorno urgente, por favor: juninhorottoli@hotmail.com
    Obrigado e parabéns pelo blog!

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  3. Oi, Juninho. Bem, as informações que obtive me foram passadas na concessionária onde fiz o test-drive em São Bernardo do Campo. A funcionária que me atendeu me entregou um prospecto e me garantiu que todos os equipamentos citados ali (e que citei na matéria) para a versão Joy eram de série. Peço perdão se alguma informação aqui transmitida pareça errada, mas eu só trabalho com as informações que recebo. Acredito que você faz bem ao entrar em contato direto com as concessionárias e se informar, porque não há nada melhor do que ter conhecimento pleno sobre o produto que se quer adquirir. De todas as formas, eu também lhe agradeceria se você pudesse me escrever novamente para esclarecer esta dúvida de vez, a fim de que, se necessário, eu inclua uma errata no blog. Um abraço!

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  4. Boa matéria.
    Acho que se a BMW trouxesse p/ o Brasil um Joy, com câmbio mecânico e com rodas de liga em um aro um pouco menor 16', tanto em função de redução dos custos quanto no que diz respeito a melhorar a rodagem nas nossas crateras o preço cairia um pouquinho mais e este BMW teria um custo benefício ainda melhor.
    Não sei porque as marcas de luxo como Mercedes, Bmw e Audi não vendem seus sedans "básicos" pelo menos com a opção da transmissão manual.
    Certamente haveria mercado.

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  5. Muito boa matéria, muito bem escrita, porém não gostei da BMW começar a fazer carro baixo custo, logo logo vai ficar igual a GM com o vectra, que no inicio era 100 mil e hoje vc compra por 50 mil. Acho que isso acaba um pouco com a marca, e principalmente com o carro, pois logo logo todo mundo terá BMW, começa a "popularizar" a marca, e BMW não é popular.

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  6. Maximiliano,

    Parabéns pela reportagem muito boa, porém acredito que a concessionária te informou algumas informações erradas. A 320i Joy não possui bancos elétricos, sensor de chuva, farol automático e cruise crontol. Mas não deixa de ser um belo carro.
    Att.,

    Fernando

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    1. Tem bancos parcialmente elétricos sim.

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  7. Oi, Fernando.

    Obrigado pelas informações. De todas as formas, foi como eu já respondi a outro comentário: trabalho com as informações que recebo e se houve discrepância, a responsabilidade cabe à concessionária ou ao vendedor que me atendeu. Ainda assim, ressalto que em momento algum citei que o 320i Joy possui bancos elétricos; pelo contrário, a matéria confirma que os ajustes são manuais.

    Um abraço!

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  8. Boa noite MAXIMILIANO.

    Recentemente fiz um test-drive em uma 320 Joy e posso afirmar que o carro é muito bom. Se vc comparar com carros nacionais então nem se fala. Que me perdoem as montadoras nacionais , que de nacionais não tem nada, mas alemão sabe fazer carro.
    Abraço.
    Alex

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  9. Boa matéria, Maximiliano!
    Curti seu blog!

    Só esclarecendo, a JOY não tem sensor de chuva, acionamento automático dos faróis e nem cruise control (piloto automático). Além disso, o sistema de som não é hi-fi e usa o rádio/cd/mp3 BMW Business (mais simples).
    Só o modelo TOP é que tem todos esses opcionais, e ainda o sistema de som hi-fi com 11 auto-falantes e o rádio/cd/mp3 BMW Professional com telefonia bluetooth integrada, dentre outros detalhes.
    Essas diferenças eu tenho certeza, pois possuo uma TOP e fiz o comparativo entre as versões antes da compra.
    Abrasss...
    DODGE®

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  10. Olá, Dodge. Isso já foi esclarecido acima: as informações da matéria foram obtidas em concessionária autorizada, onde a vendedora garantiu que os equipamentos estavam disponíveis desde a versão básica. Contudo, com seu esclarecimento, juntamente com outros que já foram feitos, é possível incluir uma errata na matéria. Obrigado e um abraço!

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  11. Qual a diferenca entre a 320ix 320iTOP?

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  12. Acrescentando que os pneus run flat não podem ser consertados, tem que trocar e são bem caros e dificeis de achar. Além disso, os de perfil mais baixo como a da Joy tendem a necessitar de troca mais rápido, ou pelo desgaste ou por bolhas, erosão, etc... O sensor de perda de pressão nos pneus pisca em qualquer buraco, dá o maior medo de ter que trocar. O da top dá menos dor de cabeça. O da 335 é um inferno.

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  13. Senhores posso falar porque possuo uma.
    Vamos la, é um carro muito simples não tem nada que um carro popular completinho tenha a única coisa diferente e o sistema de inflar do banco.O sistema de som é horrível a aceleração é chocha parece que o carro ta amarrado, a única coisa positiva na minha opinião e o sistema de tração, pode entra em uma curva pisando que o bicho vai, e a frente do carro que chama atenção.
    Resumindo não recomendo a ninguém, tenho um corolla seg que põe ele no bolso.

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    1. Senhor Junior,
      Um Corolla SEG com 136CV, 1240Kg, com aquele tenebroso câmbio automático de 4 marchas que dá solavancos, coloca no bolso um BMW 320iA, com 156, 1435Kg e câmbio Steptronic de 6 marchas?? KKK
      Você deve ser o infeliz proprietário de um Corolla e não tem grana para a BMW!!
      A velocidade a a aceleração do 320 são suficientes para qualquer estrada brasileira.
      O sistema de som é horrível??? O do Corolla é que é bom?? kkk
      Não tem nada que um popular completinho não tenha? kkkkk
      Só se for um popular completinho na Europa!!
      Bem, pelo menos vc me fez rir!!

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    2. Anônimo....Quando você ve um cara falando mal de um BMW é porque ele nunca teve um. Pode ter certeza. Aí o cara tem um Gol, Corolla, Civic, etc...fica falando que é melhor...Diz: Meu carro é completão. Tem ar, direção, vidros e travas elétricas, computador de bordo...kkkkk Não vou nem elencar aqui o que um BMW mais simples possui, que é o 116i. Fala sério! É, ao menos ele nos fez rir..kkkkkkkkkkkkkkkkk

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  14. Bm e bm e ponto final.

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  15. BMW é uma referência automobilística e, não deve ser posta em questão sua qualidade: nem de motor, materiais usados no acabamento e sua tecnologia. Embora faça-se versões mais baratas do veículo, ele sempre vai ser uma opção séria a se pensar.

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  16. Muito esclarecedora a reportagem. Parabéns

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  17. Prezado Maximiliano, muito bom seu blog.

    Deixa eu te pergunta: Qual a diferença ou deferenças entre a BMW 320I para a 320IA? Pergunto pois tenho uma BMW 320 e não sei se ela é I ou IA...

    Abs.

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  18. Também estou com a mesma dúvida do amigo acima, eu possuo um BMW 320i, mas na hora de fazer o seguro nao pude informar se era 320i ou 320iA. Qto ao carro,faz falta mesmo e o ar condicionado digital.Devido a péssima qualidade de nossas ruas, com tantos remendos mau feitos, o conforto fica um pouco comprometido devido a suspensão baixa e o perfil dos pneus.

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    1. É que pra ter ar condicionado digital o modelo passa a ser o top , que tem o teto solar e o ar digital. Eu tanho uma dessa Joy e não tenho o que reclamar não...só não estou conseguindo achar o valor de tabela. Alguem pode me passar?

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