quinta-feira, 8 de maio de 2014

NISSAN SENTRA SL X HONDA CIVIC EXR - COMPARATIVO


Novo Nissan supera líder de vendas e mostra por que continua subindo no ranking





O Honda Civic tem uma história de sucesso no Brasil. Vendido por aqui ininterruptamente desde 1992, quando começou a ser importado oficialmente, ele foi nacionalizado já em 1997. Mas foi em 2007 o lançamento da geração mais emblemática e bem sucedida dentre todas as versões do sedã até então: o New Civic, com seu design arrebatador, seu interior futurista e sua variação esportiva Si, que trazia um motor 2.0 I-VTEC de 192 cv e câmbio manual de 6 marchas. Hoje em sua 5ª. geração no Brasil (nona no mundo), ele já não provoca suspiros pelo design ou pelas soluções mecânicas, mas continua sendo um sucesso de vendas.

O Nissan Sentra, por outro lado, passou por altos e baixos desde que chegou ao país em 1991. Trazido por importadores independentes, foi vendido até 1994 em versão única (GXE) e tinha predicados, mas o design conservador nunca chamou a atenção. Em 2005 ele retornou ao país trazido pela própria Nissan, com muitos equipamentos e preço atraente - e o design ainda não era lá essas coisas. Com espaço interno menor que o da concorrência, outra vez não conquistou. A partir de 2007 o Sentra se tornou mais conhecido, graças também ao hit "Não Tem Cara De Tiozão" que apresentava um sedã que queria ser jovem mas ainda não tinha chegado lá. E a nova geração, 4ª. no Brasil e 7ª. no mundo, se voltou de vez para o conforto e se modernizou, ganhando design acertado, espaço e bom custo x benefício para enfrentar a acirrada concorrência.





É comum que carros prestes a mudar de cara percam vendas, mas o Civic, mesmo com face-lift agendado para o segundo semestre, ainda não sofre com isso e permanece na primeira posição do segmento. Incrível, porém, é ver como a transformação do Sentra o tem feito subir posições no ranking: em abril ele bateu o Cruze e conquistou o terceiro lugar, tornando o pódio exclusivamente japonês (com o Corolla em segundo). Colocamos o Honda e o Nissan frente a frente para entender melhor o que chama a atenção em cada um deles e, para este comparativo, pontuamos design, desempenho, conforto geral (dividido em espaço, dirigibilidade e equipamentos de conveniência), segurança e custo x benefício, itens que consideramos os mais importantes para a escolha de um sedã médio. A disputa foi quente!

Design



Quando foi lançada no Brasil no final de 2011 esta geração do Civic fez algumas pessoas torcerem os narizes. Perguntava-se o que a Honda faria para deixar o 'New Civic' ainda mais arrojado e bonito, mas na opinião de muita gente o sedã regrediu. De todo jeito ele ainda agrada: não se destaca mais na multidão, mas mantém linhas modernas e tem uma reformulação no visual programada já para o mês de julho, quando receberá retoques na dianteira e uma traseira mais equilibrada - hoje, o principal alvo de críticas -, com as mesmas lanternas usadas na versão americana. Dentro há semelhança com a versão anterior, que chama ainda a atenção pela modernidade do layout. O excesso de informação para os olhos da versão EXR avaliada, porém, faz o painel se tornar um pouco cansativo à noite.




O Sentra, por sua vez, ganhou um refinamento nunca visto nas versões anteriores. A inspiração veio do irmão maior Altima, lembrado através dos vincos laterais, dos faróis e da grade dianteira do Sentra. Esta mesma grade, aliás, poderia ter frisos escuros em vez de prateados, o que equilibraria melhor o conjunto dianteiro. Leds na frente e nas lanternas traseiras, recurso ainda inexistente no Civic, mostram modernidade e requinte ao mesmo tempo. A fluidez do design combina muito bem com a proposta atual do carro, que não esconde sua vocação para o conforto - o Honda, com alma mais esportiva, acaba frustrando quem busca sinais de esportividade em sua aparência. No interior tudo é mais simétrico e conservador que no Civic, mas o bom acabamento geral e o equilíbrio entre layout e informações tornam o ambiente do Nissan mais acolhedor para os ocupantes.

Civic 0 x 1 Sentra

Desempenho

O motor 2.0 flex do Honda Civic gera até 155 cv com etanol...

...enquanto o 2.0 flex do Sentra produz 140 cv com qualquer um dos combustíveis


Números não mentem. Apesar de ter menos torque (máximo de 19,5 kgfm contra 20 kgfm do Nissan), o Civic é 54 kg mais leve, tem mais potência (155 cv contra 140 cv) e bom escalonamento na transmissão automática, o que o torna ligeiramente mais ágil em acelerações e retomadas. Além do mais a versão EXR conta com paddle-shifts atrás do volante, que permitem trocas manuais e tornam a condução mais divertida bem como reduzem sensivelmente o tempo nas acelerações. O Sentra está longe de ser lerdo, mas o câmbio CVT não é tão esperto quando o do Honda e não permite qualquer tipo de interação. Mais pesado e com menos potência, o resultado final não poderia ser outro: com aceleração de 0 a 100 km/h em 11,4 segundos e retomada de 60 a 100 km/h em 7 segundos, o Nissan Sentra perde do Honda Civic com seus 9,9 e 5,8 segundos para cumprir as mesmas provas.

Civic 1 x 1 Sentra

Conforto Geral



O Nissan Sentra é mais espaçoso de forma geral...


Espaço - Sendo maior em todas as dimensões (4,62 m de comprimento, 1,47 m de altura, 1,77 m de largura, 2,70 m de entre-eixos e 503 litros no porta-malas) o Sentra acomoda melhor todo mundo. Mesmo o passageiro do meio no banco traseiro não vai reclamar da falta de espaço para as pernas. O sedã da Honda, com medidas de 4,52 / 1,45 / 1,75 / 2,67 metros, assoalho plano no banco traseiro e mais 449 litros no porta-malas não chega a acomodar mal, mas o custo por m² no Sentra é melhor aproveitado.


...mas ambos ainda têm articulações "pescoço-de-ganso" na tampa do porta-malas


Dirigibilidade - Direto ao ponto: quem aprecia mais a experiência de condução vai preferir o Civic. Ele é melhor de curva, tem volante menor e direção mais direta, é mais ágil e mais comunicativo. A questão é que até quem gosta de dirigir precisa levar mais gente no carro vez ou outra, e é aí que o sedã da Honda perde pontos. Por ter suspensão mais durinha, os passageiros de trás sentem com mais intensidade as imperfeições da via e, por estarem num carro ligeiramente mais apertado isso se acentua. Numa descida de serra, por exemplo, esses mesmos passageiros vão sacolejar mais de lá para cá, já que o Civic se apóia na suspensão com mais facilidade e aderna menos. Ou seja, uma vez privilegiando o motorista o Honda não estende esse mesmo prazer a quem vai junto. Além do mais o motor fala mais alto e o carro tem menos isolamento acústico que o oponente.

O Sentra caminha na direção oposta. Ao volante ele é equilibrado e estável, mas é discreto, manso. O volante grande, apesar de ter boa empunhadura, pede que as mãos se apoiem o suficiente apenas para manter a direção, não que o agarrem como numa condução mais arisca. A suspensão, mesmo bem calibrada e neutra em curvas, é mais macia e filtra melhor o asfalto ruim. Como se não bastasse, o isolamento acústico é eficiente a ponto de mal se ouvir o barulho dos pneus na estrada, isso otimizado pelas baixas rotações do motor em condução normal (a 120 km/h o motor gira a menos de 2 mil rpm) e pela excelente aerodinâmica (Cx de 0,29). Em resumo: o sedã da Nissan não é só para quem dirige.


Muitos equipamentos de série e interior moderno, mas excesso de informação visual cansa à noite

Interior refinado, com equilíbrio de informações e mais itens de conforto


Equipamentos de conveniência - Para garantir mais conforto aos ocupantes Civic e Sentra trazem uma lista generosa de itens de comodidade, mas um deles oferece um pouquinho mais. Ambos têm bancos e volante revestido em couro, ar condicionado automático digital, vidros, travas, retrovisores e teto solar elétricos, central multimídia com áudio completo, Bluetooth, GPS e câmera de ré integrados, computador de bordo, controlador de velocidade, sensor crepuscular, ajustes de altura, distância e regulagem do encosto no banco do motorista e de altura e distância para o volante.

Só o Honda tem controles one-touch para os 4 vidros e alarme com fechamento automático de vidros e do teto solar. Por outro lado, só no Sentra o ar condicionado é Dual Zone, os retrovisores são rebatíveis eletricamente e há sensores de estacionamento conjugados à câmera de ré. Além do mais a central multimídia é bem mais fácil de manusear.

Civic 1 x 2 Sentra

Segurança


Um empate fácil de explicar. Enquanto o Civic é o único aqui que possui controles de estabilidade e tração, a Nissan justifica sua ausência no Sentra com um preço R$ 8.500,00 menor. E não é só: o Sentra freia melhor, não deixa a desejar nas curvas e é o único que traz o sistema Isofix para fixação de cadeiras infantis no banco traseiro. Ambos têm ABS com EBD e assistente de frenagem de emergência, mas o Sentra tem 6 airbags contra 4 do Civic. Ou seja, nenhum item de segurança faz o trabalho sozinho.

Civic 2 x 3 Sentra

Custo x Benefício

Nissan Sentra é o sedã a ser batido em termos de custo x benefício

Engana-se quem pensa que compradores de sedãs médios topo-de-linha não se preocupam com custo x benefício. Fosse assim o Sentra não teria atingido, em abril, seu melhor resultado mensal desde 2007. Antecipando sua vitória neste quesito, explicamos por quê ele é hoje o sedã a ser batido.

Com o preço que se paga num Nissan Sentra SL CVT é possível comprar somente versões intermediárias dos concorrentes. Talvez o modelo que mais se assemelhe em motorização e equipamentos é o meio-irmão Renault Fluence na versão Privilège, que era top até a chegada do versão turbinada GT - e ainda assim ela custa R$ 4.000,00 mais. Os R$ 75.490,00 do Sentra SL compram todos os itens de conveniência, segurança e aparência que descrevemos acima, além de 3 anos de garantia total sem limite de quilometragem, a mesma do Civic. O custo de manutenção e o seguro, porém, são mais em conta.

A Honda trata muito bem os clientes e o Civic tem fama de inquebrável. Na foto, detalhe das alavancas de câmbio e freio de mão

O Civic responde com a tradição de ótimo atendimento da rede de assistência técnica e a fama de resistência que o acompanha desde que chegou no país. Calculamos também o consumo tanque-a-tanque de ambos: o Civic foi mais econômico, obtendo a média de 8,70 km/l de etanol ao fim do teste (o computador de bordo marcou 8,4 km/l de média), enquanto o Sentra, não aproveitando a baixa rotação do motor na maioria das situações, chegou à média de 7,59 km/l (com o computador marcando 7 km/l). Mas a Honda, sabendo que tem mercado cativo, continua cobrando caro por seus produtos. Os R$ 83.990,00 cobrados pelo Civic EXR (com mais R$ 1.100,00 se a pintura for metálica ou perolizada) não são revertidos necessariamente em mais benefício.

Civic 2 x 4 Sentra

E os outros japoneses?


O Toyota Corolla Altis deveria aparecer neste comparativo, mas a fábrica se nega a responder os nossos pedidos de carros para avaliação. De todas as formas, numa análise superficial comparativa com o Nissan Sentra, concluimos que ele não vale o que custa. O design realmente ficou mais atraente e o problema de espaço foi resolvido, graças ao aumento geral nas dimensões do carro. A adoção do câmbio CVT com 7 velocidades pré-definidas também é um avanço, bem como a recalibração da suspensão. Mas a não ser pela maior potência do motor e pela central multimídia que conta com TV digital, ele não traz nada a mais que o Nissan. Custar R$ 92.900,00 (com R$ 900,00 a mais pela cor branco perolizado) é uma incoerência.


A Mitsubishi não dispõe de frota de imprensa, motivo pelo qual não conseguimos avaliar também o Mitsubishi Lancer. A versão que mais se assemelha ao Sentra é a CVT 4x2, que tem, inclusive, preço próximo (custa R$ 73.990,00). Mas traz menos equipamentos e menos espaço que o Nissan, apesar de ter mecânica refinada, excelente dirigibilidade e design ainda atraente. A versão topo-de-linha GT não faria sentido neste comparativo, considerando a tração 4x4 e a pegada esportiva, bem como o proibitivo preço de R$ 98.990,00.


O Sentra cresceu, amadureceu e por isso venceu este comparativo. Ele tem tudo, agora, para competir de igual para igual com os líderes do mercado e até, por que não, superá-los. Infelizmente, para que isso aconteça, ele precisaria ser produzido aqui. A cota limitada de importações do México pode ser um entrave para que ocorra uma reviravolta no ranking, coisa que não é difícil de acreditar a julgar pelo bom desempenho em vendas desde que foi lançado. De todas as formas, a Nissan está no caminho certo com o Sentra: é um excelente produto.

Fotos: Maximiliano Moraes / Bruno Squarisi / Divulgação
Informações de desempenho: Auto Esporte
Agradecimentos ao Mosteiro de São Bento em Vinhedo, SP

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