terça-feira, 3 de maio de 2016

JAC T5 - AVALIAÇÃO


Por Maximiliano Moraes, de Valinhos (SP)
Colaborou: Rodrigo Fernandes (edição do vídeo-review)
Fotos: Maximiliano Moraes




Quando dirigimos o JAC T5 na ocasião do lançamento (veja AQUI o vídeo-review) ele foi aprovado com louvor na avaliação de algumas das principais características procuradas por consumidores de SUVs compactos no Brasil: tem boa oferta de espaço, bom nível de conforto e equipamentos e excelente custo x benefício. Ali, na comparação direta com outros SUVs de preço semelhante, em especial Ford EcoSport e Renault Duster com motor 1.6, ele não deixou a desejar.




Mas o test-drive, mesmo generoso, não foi suficiente para avaliar a disposição real do motor ainda sem amaciamento, como foi o caso da unidade disponibilizada, bem como o consumo médio do modelo e, obviamente, seu comportamento no dia-a-dia. Por isso ficamos mais 10 dias com um T5 já amaciado e descobrimos muito mais sobre ele.


Motor 1.5 16v JetFlex rende 127 cv e 15,7 kgfm com etanol

Quem compra um utilitário com motor pequeno quer praticidade e economia com desempenho honesto, ainda que este último não seja prioridade. EcoSport e Duster, principais concorrentes do T5, trazem motores 1.6 16v com números de potência e torque semelhantes: 115 cv e 15,9 kgfm de torque com etanol. O chinês, que traz um moderno propulsor 1.5 16v flex com sistema variável de abertura de válvulas e partida a frio sem tanquinho extra de gasolina, ganha em potência (127 cv) e perde por pouco no torque (15,7 kgfm). Acelerações e retomadas no JAC são cumpridas sem sofrimento, ainda que seja preciso mais reduções do que estamos acostumados - o torque vem com giro alto e o câmbio de 6 marchas privilegia rotações mais baixas para otimizar o consumo.


Câmbio de 6 marchas tem acerto voltado para a economia de combustível

Média de consumo ficou em 9,6 km/l de etanol

Foi graças ao câmbio, justamente, que o T5 conseguiu os bons números de consumo ao final do teste. O computador de bordo registrou média de 9,6 km/l com etanol. Outra boa surpresa foi o nível de ruído a bordo. A 120 km/h em 6ª marcha o motor ronrona a menos de 3 mil giros e não há nem ruídos aerodinâmicos residuais nem excesso de barulho de rolagem de pneus. Apenas nas rotações mais altas, necessárias para fazer o carro deslanchar (o pico de torque chega lá em cima, aos 4 mil giros), o mesmo ruído metálico típico do 1.5 JetFlex e que também existe no J3 S invade a cabine.


Porta-malas leva 600 litros declarados

Atrás há bom espaço para pernas e cabeça; nem tanto para ombros. Banco conta com Isofix

Praticidade também é com o T5. O porta-malas é excelente para seu porte - a JAC divulga 600 litros de capacidade. Usamos o carro para o transporte de itens diversos de um bazar beneficente, e pensando serem necessárias pelo menos 2 viagens para carregar tudo - roupas, bonés, acessórios, cabides, manequins e araras - nos surpreendemos com o espaço disponível: foi tudo numa só viagem e só não foram no porta-malas, mas sentadinhos no banco de trás, os manequins. Há ainda porta-objetos e garrafas nas portas da frente e de trás, bolsas atrás dos bancos dianteiros, 1 porta-objeto e 1 porta-copo no console dianteiro, porta-objetos sob o descanso de braços central e mais uma bandeja no topo do painel, além do porta-luvas.



A ergonomia joga a favor. A posição de dirigir, alta e típica de SUV, é facilmente encontrada através dos ajustes de altura e distância do banco do motorista, mais o ajuste de altura do volante - JAC, você ainda nos deve ajuste de distância da coluna de direção. Uma vez acomodado o condutor encontra facilidade de acesso a praticamente todos os comandos, com poucas exceções: os controles e o visor do ar condicionado digital são um pouco baixos, obrigando o motorista a desviar a atenção do trânsito para ajustar a temperatura, e o computador de bordo, que só pode ser acessado por meio do velho botãozinho entre os mostradores principais, merecia comandos no volante.



Os bancos são bons. Falta um pouco de apoio lateral nos dianteiros, mas eles têm boa largura e são confortáveis em viagens. Atrás o espaço para cabeça e pernas é excelente, e para os ombros, caso haja 3 ocupantes, apenas suficiente. Os engates do câmbio são certeiros e macios, dos melhores já vistos nos JAC vendidos aqui. Já os sistemas de direção e suspensão, extremamente macios, são ótimas para a cidade - manobras são feitas girando o volante com um dedo e a filtragem de imperfeições ao rodar é típica dos JAC - mas podem causar certa insegurança em velocidades mais altas - falta progressividade na direção e a suspensão oscila mais do que o desejado.


Central multimídia tem bons gráficos, qualidade de áudio razoável e pouca intuitividade na operação

Se acostumar a este comportamento não é difícil, porém. Isto porque os controles de tração e estabilidade, inéditos num chinês vendido aqui, trabalham para minimizar qualquer tendência ao desgarre. Apesar de adernar nas curvas o sistema mantém o T5 neutro, fácil de controlar e quase sem "cantar" pneus. Outra novidade é a central multimídia, que traz uma imensa tela de 8 polegadas ao centro do painel e pode espelhar o celular do usuário. Os gráficos são bacanas, a qualidade do áudio vai de razoável a boa dependendo do repertório e justamente o que deveria ser diferencial, a interação com celulares - inclusive o espelhamento -, não é tão boa assim. Para espelhar é preciso um cabo e um aplicativo para ler um QR code, que não funciona sempre. Parear o celular também é coisa pouco intuitiva, sendo o usuário obrigado a entender os ícones coloridos na base da tela. Palavras, literalmente, seriam mais práticas.


Volante multifuncional traz comandos apenas do áudio; falta controles do computador de bordo

Bancos revestidos em couro sintético com costuras vermelhas são de série no Pack 3

O melhor do JAC T5 é realmente seu custo x benefício. A versão avaliada, que trazia o Pack 3 de equipamentos, custa R$ 70.690,00 no site e traz, além do básico, os já citados controle de tração e estabilidade e a central multimídia com espelhamento, mais assistente de saída em rampas, assistente de frenagem de emergência, sensor de pressão dos pneus, sensor de estacionamento traseiro com câmera de ré, retrovisor interno eletrocrômico, ar condicionado automático digital, revestimento de bancos e volante em material sintético que imita couro, Isofix no banco traseiro e leds diurnos. Por preço semelhante é possível comprar um Ford EcoSport SE 1.6 manual (R$ 68.490,00), que tem pacote de equipamentos bem mais modesto, ou um Renault Duster Dynamique 1.6, que tem como destaque a central multimídia mais bem resolvida, mas custa R$ 72.580,00.




Não dá para fazer vista grossa à preferência do consumidor brasileiro, que ainda vê carros como bens de capital, por modelos com maior liquidez. A rede de concessionários reduzida também contribui para gerar insegurança na hora da decisão de compra. Mas como produto é inegável a superioridade do T5. Mais moderno, mais tecnológico, mais espaçoso e mais recheado que seus principais concorrentes, ele conta ainda com garantia de 6 anos e com a promessa de manutenção mais em conta a partir do segundo semestre, quando passará a ser montado em regime de CKD na fábrica de Camaçari (BA). Hoje ele faz dobradinha com o T6, que atende a um público que deseja mais desempenho e dirigibilidade mais refinada, na escolha dos melhores chineses à venda no país.

3 comentários:

  1. só me falta dinheiro para partir para uma maquina dessa, talvez daqui a uns 5 anos pego uma.

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  2. Alguem sabe se vai ter chave de presença e quando vai chegar o cambio cvt?

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    1. Olá, Matheus. A previsão da JAC para o lançamento do câmbio CVT no T5 é o quarto trimestre deste ano, entre outubro e dezembro. Quanto à chave presencial, não há qualquer informação ou previsão. Obrigado por seu comentário e um abraço!

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