quinta-feira, 24 de setembro de 2009

RENAULT SYMBOL PRIVILÉGE 1.6 16V














Minha expectativa em relação a este carro era grande, confesso. Afinal, ele foi escolhido pela revista Quatro Rodas como a melhor compra de 2009 (na versão com motor de 8 válvulas) juntamente com o Hyundai Azera. Grande responsabilidade!

O maior receio das marcas quando estas possuem 2 ou mais carros com mesma proposta e preço é a canibalização. Por mais que elas se esforcem para ressaltar características de cada um e especificar públicos-alvo diferentes, isso pode acontecer naturalmente. Por isso resolvi incluir o Logan num comparativo informal, analisando somente dirigibilidade, suspensão, estabilidade, conforto, espaço e acabamento, já que o modelo que serviria ao comparativo seria o meu próprio carro, com motor diferente (1.0 16v) – motivo pelo qual o desempenho e o consumo não poderiam ser avaliados.

Ninguém tem dúvida de que a relação entre custo e benefício do Symbol é muito boa. De série, a versão Privilége vem com airbag duplo, ar condicionado digital, computador de bordo, vidros, travas e retrovisores elétricos, direção hidráulica, regulagem de altura do volante, CD player com MP3, rodas de alumínio, faróis de neblina, alarme, volante e manopla de câmbio revestidos de couro, e como único opcional é oferecido o ABS. Tudo por R$ 46.840,00, valor menor do que o cobrado, na tabela, por sedãs como Peugeot 207 Passion 1.6 e VW Voyage 1.6, por exemplo, com os mesmos opcionais.

Outra coisa digna de crédito é o bom acabamento do Symbol, imensamente melhor que o do Logan. A Renault fez um bom trabalho na escolha de materiais e tonalidades do interior, apesar de eu achar o layout do Passion mais bonito e menos monótono, e do Voyage mais simétrico. O Symbol, apesar de bonito, tem um layout meio “remendado”, parecendo uma casa bonita mas que foi construída à base de “puxadinhos”. Aliás, sabendo que ele nada mais é que um Clio Sedan com outra carcaça, isso não deixa de ser verdade, até certo ponto. Neste aspecto o Logan me parece mais simétrico, apesar de simples.














Na hora de dirigir o Symbol, porém, fiquei negativamente surpreso. Alguns textos que li mostravam unidades macias e ágeis, com elogios rasgados à sua dirigibilidade, desempenho e estabilidade de forma geral. Bem, ágil ele é mesmo. Seus 115 cavalos (com álcool) e os 16 mkgf de torque o fazem acelerar e retomar velocidade como poucos sedãs de seu porte. Mas a maciez que eu esperei da direção, suspensão e câmbio não estava lá de jeito nenhum – por isso, minha opinião foi contrária à da maioria das reportagens que li.

O trecho selecionado pela concessionária tinha pistas com asfalto um tanto quanto acidentado, além de valetas e lombadas, e isso me fez ver o quanto a suspensão do Symbol deixa a desejar em trechos irregulares. O Logan, com seu bom acerto de chassi, ótima suspensão e grande distância entreeixos, filtra bem melhor as imperfeições do solo. A direção hidráulica, que se mostrou somente adequada em manobras, 
se tornava bem mais pesada que a do Logan à medida que a velocidade aumentava (e nem aumentou tanto assim, porque o percurso era exclusivamente de ruas de bairro). Quanto ao câmbio, no Symbol ele é exatamente o mesmo do Clio Sedan. Por isso não houve qualquer melhoria por parte da Renault; os movimentos laterais em acelerações permanecem e ele continua duro e impreciso. Já no Logan, o trabalho da Renault foi muito bom, tornando o câmbio macio e preciso.

Alguns aspectos que considero negativos, como os bancos estreitos e desconfortáveis, são absolutamente pessoais (porque o Logan, mais largo e com bancos maiores, acomodam melhor meu metro e noventa). Não se pode negar ainda que o Symbol, bem equipado como é, consegue transmitir a sensação de requinte que se espera – pelo menos a partir do que se vê. Mas eu não o compraria; continuo preferindo um Logan. Pessoas com menos altura, que preferem esportividade ao conforto e que fazem questão de algum requinte vão preferir o Symbol, e estarão igualmente bem servidos.

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