quinta-feira, 20 de março de 2014

NISSAN ALTIMA - AVALIAÇÃO




"É um Hyundai novo?" - perguntou o rapaz do carro ao lado no semáforo. Tomei a pergunta como elogio, sabendo que carros coreanos são tidos como referências em design para muitos consumidores. Ao mesmo tempo entendi a confusão: desde o seu lançamento, em novembro passado, foram vendidas somente 251 unidades do Nissan Altima (pronuncia-se ÁLtima), o que faz do sedã uma figura ainda desconhecida no trânsito.





Além do desinformado rapaz, várias pessoas perguntaram sobre o novo Nissan. Todos, sem exceção, admiraram o design e a imponência do sedã. As linhas que remetem às de um cupê, em voga, fizeram torcer vários pescoços também no trânsito - e, veja só, não apenas de gente com mais idade. As rodas de liga leve poderiam ter 18 polegadas, mas as de 17, com desenho agradável, não caíram mal. A lateral do Altima exibe vinco que começa nos faróis, circunda a caixa de roda dianteira, segue acima das maçanetas cromadas e termina nas lanternas traseiras, dando ao sedã mais fluidez e uma beleza incomum para o padrão Nissan que estamos acostumados. Mesmo a enorme grade dianteira não parece tão exagerada, por ter somente a moldura cromada (e não a peça inteira como no Sentra), e não ofusca o bonito conjunto ótico dianteiro. Na traseira, as arrojadas lanternas em led invadem a lateral do carro, a imensa régua cromada acima da placa faz par com a grade dianteira e o toque de esportividade é dado pela ponteira dupla de escapamento.





O Nissan Altima é mais barato que o trio composto por BMW 3, Mercedes C e Audi A4 que está à sua frente no ranking e não custa muito mais que o líder Fusion - o preço sugerido no site oficial da marca é de R$ 106.900,00 com pintura sólida. Curiosamente, ele superou as expectativas quanto à qualidade do acabamento - para ser franco, ela se iguala ou até supera a dos alemães de entrada. Não se trata apenas da perfeição dos encaixes ou dos materiais usados - couro, plásticos de ótima qualidade, diferenciação de texturas -, mas da sensação de requinte, de estar num carro mais caro. Esta é uma de suas vantagens: não faz sentido sair de um sedã médio, por exemplo, e adquirir um médio-grande se o padrão de acabamento é o mesmo; quem compra quer mais. Por isso a Nissan foi feliz nesta geração do Altima, preferindo abrir mão de um layout interno carregado e "modernoso", porém plastificado em excesso, em favor do luxo e da simetria das linhas, que cansam menos.






Requinte sem funcionalidade seria bobagem. Por isso o Altima traz um pacote bem completo:

- Ar automático digital dual-zone;
- Direção eletro-hidráulica;
- Volante multifuncional aquecido e revestido em couro;
- Controlador de velocidade;
- Computador de bordo com display 3D Drive-Assist e 6 funções, incluindo monitoramento de pressão dos pneus, acionadas no volante;
- Coluna de direção ajustável em altura e profundidade;
- Bancos revestidos em couro com tecnologia 'Zero Gravity' - o do motorista com ajustes elétricos (inclusive lombar) e aquecimento, o do passageiro com aquecimento e o traseiro com Isofix, cintos de segurança de 3 pontos e encostos de cabeça para os 3 ocupantes;
- Retrovisores externos aquecidos com piscas integrados, regulagem e rebatimento elétricos;
- Retrovisor interno eletrocrômico;
- Sensores de estacionamento, de luminosidade e de chuva;
- Monitoramento de aproximação de veículos e de mudança de faixa;
- Chave presencial com partida por meio de botão no painel;
- Vidros e teto solar com acionamento elétrico;
- Central multimídia com tela de 7 polegadas que inclui sistema de som premium Bose com rádio, CD/MP3 player, entradas USB, auxiliar e 9 alto-falantes, mais GPS integrado, Bluetooth e monitoramento da câmera de ré;
- Controles de estabilidade, tração e subesterço;
- Freios a disco nas 4 rodas com ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência;
- Airbags frontais, laterais e de cortina;
- Rodas de liga leve com aro de 17 polegadas;
- Faróis com ajuste de altura e lanternas traseiras em led;
- Faróis de neblina;
- Escapamento duplo com acabamento cromado.





A lista de equipamentos de série faz jus ao segmento e supera a de seus concorrentes diretos. Mas o Altima não é perfeito: só os vidros elétricos dianteiros têm one-touch, nenhum deles sobe com o acionamento do alarme (é acessório opcional) e os para-sóis não têm extensores como os do Sentra. E há uma única e incompreensível falha no acabamento: os tapetinhos do porta-objetos duplo no descanso de braço dianteiro são soltos e saem do lugar toda vez que é preciso retirar alguma coisa dali. São as típicas bobaginhas práticas cuja ausência pode causar irritação. Mas ninguém vai poder reclamar de falta de conforto: sobra espaço para todos, mesmo no banco traseiro. Não poderia ser diferente: com 4,86m de comprimento, 1,83m de largura, 1,47m de altura e 2,77m de entre-eixos, ele só deixa a desejar quanto à capacidade do porta-malas, que não comporta mais que 436 litros ou menos, considerando as articulações "pescoço-de-ganso" da tampa.





O conforto também é sentido ao rodar. A suspensão, McPherson na dianteira e multilink na traseira com os refinados amortecedores da ZF Sachs, é muito bem calibrada tanto para a estrada quanto para qualquer tipo de piso na cidade - até mesmo um pequeno trecho de terra com ondulações, nos arredores de Campinas, foi superado sem trancos para os passageiros e sem barulho na cabine a não ser dos pneus. No asfalto, aliás, mesmo os pneus mal são ouvidos; o isolamento acústico é muito bom. A exceção, como em qualquer carro com câmbio CVT, ocorre nas acelerações: o giro é jogado para cima e o ruído do motor invade a cabine. Não é nada desesperador, porém, e é possível minimizar esse efeito usando a opção de trocas de marcha virtuais para reduzir a rotação do motor. E para manter o ambiente ainda mais agradável, ajuste o ótimo sistema de som Bose, que reproduz frequências quase à perfeição.




Falar tanto sobre conforto pode fazer pensar que o Altima é um carro chato de dirigir. Quem quer conforto vai ter e quem quer segurança também, mas ele é capaz de garantir o mínimo de esportividade para quem vincula o visual às capacidades dinâmicas. O motor 2.5 16v a gasolina, que entrega 182 cv de potência a 6.000 rpm e 24,8 kgfm de torque a 4.000 rpm, não sofre para empurrar os 1.469 kg do sedanzão: as acelerações de 0 a 100 km/h são feitas tranquilamente em menos de 10 segundos e as retomadas são igualmente ágeis. Isso porque a transmissão XTronic CVT evoluiu, sendo mais bem calibrada e menos letárgica que no Sentra.





Além disso, ela "entende" o tipo de condução no momento, mantendo o giro alto nas frenagens antes de curvas para garantir retomadas mais seguras. Auxiliado ainda pelos controles de estabilidade e tração, o Altima é bem estável, mais até do que se espera para um sedã com seu porte, e transmite segurança e solidez mesmo em curvas mais fechadas - a direção elétrica, que chega a ser meio pesada em manobras, reage com uma agilidade inesperada para um sedã de seu porte. Isso foi posto à prova na Estrada do Jequitibá (ou "estrada velha"), que liga Valinhos a Itatiba: um trecho de 14,7 quilômetros cheios de curvas fechadas, subidas e descidas repentinas e íngremes e nenhum ponto de ultrapassagem. E neste trecho não houve nenhuma saída de frente ou de traseira, nenhuma reclamação dos pneus, nada.





Se dependesse só de suas qualidades, o Nissan Altima poderia estar nas primeiras colocações no ranking. Mas a expectativa da marca é baixa e a falta de marketing para o sedã reflete isso: no lançamento, a Nissan informou que queria vender 250 unidades até o fim de dezembro, número só atingido agora. De todas as formas, além de requinte, conforto e de uma boa dinâmica de condução, quem comprar um Altima vai levar para casa um item inesperado: exclusividade, coisa de sedãs mais caros. Dá pra ser bem feliz com este Nissan.

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