sexta-feira, 26 de junho de 2015

HONDA CITY EX CVT - AVALIAÇÃO




O Honda City é um sedã no mínimo curioso. Nem tão pequeno que possa ser chamado de compacto premium, nem tão grande para ser um médio, mas com espaço de médio e desempenho de compacto premium. Em sua faixa de preço (avaliamos a versão EX CVT), aliás, a oferta é extremamente heterogênea: há compactos de verdade (Fiesta Sedan), compactos que querem ser médios (Linea), médios subdimensionados para enfrentar compactos (J5 e Cerato) e médios de fato em versões de entrada (Jetta e Sentra).



O City sempre foi visto como boa compra, apesar do preço. A prova está nos números de venda: só este ano a Honda comercializou 10.995 City, mais que o dobro das 4.913 unidades de toda a concorrência (2.525 Fiesta Sedan, 1.701 Linea, 625 Cerato e 62 J5). E o motivo não é só "ser um Honda": no convívio percebe-se que a Honda preferiu investir um pouco menos em conveniência e um pouco mais em qualidade construtiva e conforto de rodagem. O modelo anterior deixava a desejar em acabamento, o nível de ruído era elevado demais e as linhas do exterior e interior eram sóbrias além da conta. Neste, porém, a marca juntou um pouco de tudo o que os clientes desejavam e colocou num único pacote, de forma a agradar um número muito maior de pessoas.

Motor 1.5 16v VTEC rende 116 cv e 15,3 kgfm com etanol

O que mais chama a atenção neste Honda é a regularidade. Para começar, é cativante a interação entre o motor 1.5 16v VTEC (116 cv, 15,3 kgfm a 4.800 rpm, flex, partida a frio sem tanquinho extra) e o câmbio CVT (7 marchas simuladas no modo manual e opção de trocas por borboletas atrás do volante), que faz o sedã parecer mais potente do que realmente é. Por um lado tem-se o conforto e o silêncio a bordo enquanto o motor trabalha a 2.100 rpm a 120 km/h, coisa de carro com motor bem maior. Por outro, acelerações ágeis e lineares, bem como retomadas seguras e sem sustos, são facilmente conseguidas com o pé embaixo. Nessas condições, porém, esqueça o silêncio a bordo; o motor vai gritar.


Outra vantagem do câmbio CVT aparece no consumo - desde que mantida a condução sem arroubos de esportividade, só para lembrar. O computador de bordo chegou a marcar 12,4 km/l na estrada com etanol, não ficando abaixo de 9,1 km/l na cidade. A iluminação acima do velocímetro, que passa de verde a azul a depender do estilo de condução, ajuda a manter o pé mais leve. Mas há quem prefira uma condução mais dinâmica e para isso contribui a nova suspensão, que evoluiu desde o último City. Nela há nova geometria e componentes mais leves na dianteira, enquanto a traseira leva buchas hidráulicas e um eixo de torção mais rígido. O carro se tornou mais firme, mais decidido e com menos rolagem nas curvas. A direção na unidade testada, por outro lado, poderia acompanhar a boa desenvoltura da suspensão mas seu comportamento foi inverso ao que se espera de um sistema elétrico de assistência: nem tão leve em manobras, nem tão firme em velocidade.

Bancos são forrados com tecido simples, mas são largos e confortáveis

Porta-malas é cavernoso: comporta 536 litros

Mais sensato, então, é deixar o Honda City entregar o que ele tem de melhor: conforto. Nisso não há nenhuma surpresa, o espaço interno melhorou muito em relação à versão anterior. Ainda que motoristas mais altos se ressintam de não haver recuo suficiente no banco dianteiro para que as pernas fiquem mais esticadas o City não chega a ser apertado. A posição de dirigir é boa e fácil de encontrar, graças aos ajustes de altura do banco e de altura e profundidade da coluna de direção. Atrás, por outro lado, o vão permite até cruzar as pernas. O porta-malas, então, virou um latifúndio de 536 litros. O erro da Honda foi manter a abertura somente por meio de uma alavanca no assoalho, ao lado do banco do motorista, ou por comando na chave; não há fechadura. E se a bateria do controle acabar num dia de chuva?


Ainda sobre o ambiente interno, o acabamento também melhorou bastante. Os bancos são revestidos em tecido simples mas agradável ao toque e são amplos, confortáveis e com bons apoios laterais. Como em todo Honda há plástico por todo lado, mas todos são encaixados milimetricamente e têm boa textura e aparência. A exceção é o aplique imenso em black piano que vai da esquerda do volante até a seção central do painel: se a intenção era criar um visual fluido e unificado ao painel totalmente digital do ar condicionado, o efeito acabou exagerado. Este mesmo painel, aliás, pode ser moderno mas qualquer esbarrão em um comando errado o ativa, o que obriga o motorista a tirar os olhos da via por mais tempo do que o razoável para ativar o comando certo.

Central multimídia não é completa, mas é eficiente no que oferece

A central multimídia é limitada, mas eficiente no que oferece. O sistema conta com leitor de CD e MP3, entradas USB e auxiliar P2, rádio e Bluetooth com comandos no volante. O pareamento com o smartphone é fácil e intuitivo, e o áudio tem equalização fácil, boa qualidade sonora (não excelente) e ajuste de volume no volante. A tela de 5 polegadas, porém, é pequena e não é touch-screen. Há câmera de ré com boa definição de imagem, mas não há sensor de estacionamento.

Banco traseiro traz sistemas Isofix e LATCH para fixação de cadeirinhas, além de cintos de 3 pontos para todos

A Honda não descuidou da segurança no City. Há cintos de segurança de 3 pontos para todos os ocupantes, 3 encostos de cabeça retráteis no banco traseiro e, ainda neste, sistemas Isofix e LATCH para fixação de cadeirinhas infantis. Além, é claro, do que é obrigatório por lei. O sistema ABS com EBD proporciona frenagens seguras, sem sustos e em espaços curtos, no que o baixo peso (1.126 kg) contribui bastante. Quanto às bolsas, o airbag do passageiro pode ser desativado, mas airbags laterais são reservados só à versão de topo EXL.

Versão EX custa R$ 67.700. Bancos em couro e airbags laterais só na versão de topo EXL

Completam a lista de equipamentos disponível no Honda City EX vidros elétricos com one-touch para subir e descer o do motorista, retrovisores externos com comandos elétricos e repetidores na carcaça, faróis de neblina, rodas de liga leve com aro de 16 polegadas, controlador de velocidade, espelhos de cortesia em ambos os para-sóis e apoio de braço para o motorista. A versão avaliada custa R$ 67.700,00, valor que poderia incluir itens de série presentes até em sedãs muito mais baratos, como GPS, levantamento automático de vidros a partir do acionamento do alarme, sensores de chuva e luminosidade ou um simples ajuste de intermitência do limpador de para-brisa.


Mas a lista de equipamentos está longe de ser escassa. Ademais, sua maior vantagem é justamente ser plural. Vende bem porque consegue agradar a quem acha sedãs médios de entrada grandes e pelados demais, sedãs compactos premium pequenos demais e outros concorrentes datados ou pouco confiáveis. O City não é nada disso e, ao mesmo tempo, é um pouco de tudo.

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