quarta-feira, 1 de junho de 2016

CHEVROLET LANÇA NOVO CRUZE 2017


Sedã muda completamente: traz novo design e motor, com equipamentos inéditos no segmento. E fica muito mais caro

Por Maximiliano Moraes, de Indaiatuba, SP
Fotos: Maximiliano Moraes / Divulgação
Viagem a convite da Chevrolet do Brasil


Apresentado há quase 1 ano nos EUA e com vendas já iniciadas na Argentina, o Novo Chevrolet Cruze foi lançado ontem oficialmente no mercado brasileiro. Sendo hoje o carro mais vendido da marca no mundo, as metas para o modelo no Brasil, que tem no segmento de sedãs médios um dos mais movimentados e rentáveis, não poderiam ser menos ambiciosas: oferecer o mesmo nível de equipamentos de segurança e entretenimento de um Mercedes Classe C, dirigibilidade próxima à de um Audi A3 e conquistar a liderança do segmento, há anos alternada entre os japoneses Corolla e Civic.



A iniciativa da Chevrolet para mostrar as qualidades dinâmicas do Novo Cruze também foi ousada: juntamente com as unidades disponibilizadas para os test-drives havia 2 Audi A3 Sedan 1.4 Ambiente e 2 Toyota Corolla, um XEi e um Altis, os dois modelos concorrentes do Cruze LT, LTZ ou LTZ+ - sim, existe uma versão ainda mais completa agora. Mas o que descobrimos sobre o rodar do Cruze vamos falar mais adiante.

Há algo de bom e de ruim no design do Novo Cruze. Dentro e fora, absolutamente nada lembra a geração anterior do Cruze; tudo é muito mais fluido, com linhas se mesclando umas às outras, nada truncado, nada quadrado. Ao mesmo tempo suas linhas lembram, a depender do ângulo, vários outros modelos já conhecidos do mercado - Civic, Elantra, Cerato e até o Fusion. A impressão é que a Chevrolet reuniu todos os melhores elementos desses sedãs, admirados pela beleza de seu design, e colocou tudo num carro só. A parte boa é que ele ficou bem mais bonito, chamando a atenção por onde passa. Prova disso foram as várias fotos que outros motoristas tiraram durante o test-drive na Rodovia dos Bandeirantes.

Motor 1.4 Turbo Flex rende 153 cv de potência com 24,5 kgfm de torque entre 1.500 e 5.000 rpm

Motivo de orgulho para a Chevrolet, o conjunto propulsor também é novo. O motor 1.4 Turbo Flex com injeção direta gera até 153 cv e 24,5 kgfm de torque entre 1.500 e 5.000 rpm utilizando etanol, e equipa todas as versões. O eficiente downsizing fez o sedã obter etiqueta "A" de eficiência energética, com consumo aferido pelo Inmetro, com gasolina, de 11,2 (urbano) e 14 km/l (rodoviário), e com etanol, de 7,6 (urbano) e 9,6 km/l (rodoviário). As variáveis do instituto para a obtenção de dados oficiais podem explicar, porém, o fato de termos conseguido números ainda melhores, na média: o computador de bordo registrou 15,3 km/l.

Perfil esguio contribuiu para o baixo coeficiente de penetração aerodinâmica de 0,30

Contribuem ainda para a boa performance geral cabeçote com coletor integrado, bloco e cárter de alumínio, comando variável de válvulas e um competente sistema Stop/Start, bem como a expressiva redução de até 100 kg na massa total do carro (a depender da versão), a eficiente aerodinâmica obtida com o novo design (Cx de 0,30) e o uso de pneus de baixa resistência à rolagem. Já a transmissão continua automática com 6 marchas, mas é a terceira geração da caixa já conhecida por nós e a mesma utilizada no Cruze americano. Muito ágil e suave em trocas ascendentes, ela poderia ser um pouco mais rápida nas reduções, mas atende ao tipo de consumidor que a Chevrolet busca para o carro.

Na versão LTZ o sistema OnStar de telemática pode ser acessado pela tela do MyLink 2

Assim como tem feito com todos os seus modelos recentes, a Chevrolet incluiu no Novo Cruze o sistema OnStar de telemática, cujos botões migraram da base do retrovisor interno para um pequeno console no teto. O MyLink 2 também chegou ao novo Cruze, com a pequena diferença de ser operado por uma tela de 7 polegadas na versão LT e de 8 polegadas nas versões LTZ e LTZ+. Os preços de todas as versões subiram, mas a Chevrolet os justifica com listas de equipamentos de série bem mais recheadas que de costume, inclusive com itens, desde a versão LT, ausentes até em versões de topo de outros modelos.


Novo Cruze 1.4 Turbo Flex LT - R$ 89.990,00

Airbags frontais e laterais, controles de tração e estabilidade, luz diurna, faróis de neblina, Isofix, ar condicionado eletrônico, direção elétrica com coluna regulável em altura e profundidade, cruise control, freios com ABS, distribuição eletrônica de frenagem e assistente de frenagem de emergência, sistema de som de alta definição, retrovisores externos com aquecimento, computador de bordo, volante multifuncional, apoio de braço central dianteiro, rodas com aro 17, sistema de monitoramento de pressão de pneus, sensor de estacionamento traseiro com câmera de ré, assistente de partidas em aclives, navegação por setas no painel com comando de voz e os já citados OnStar, MyLink 2 com tela de 7 polegadas e Stop/Start.


Novo Cruze 1.4 Turbo Flex LTZ - R$ 96.990,00

Tudo o que a versão LT tem, mais airbags de cortina, luzes diurnas em led, sensores crepuscular e de chuva, chave presencial com comando para partida remota do motor, retrovisor interno eletrocrômico, retrovisores externos com rebatimento elétrico, botão de partida, faróis com regulagem de altura, maçanetas e grade com detalhes cromados, tapetes de carpete, sensor de estacionamento dianteiro, rodas 17 escurecidas, computador de bordo com tela colorida e MyLink 2 com tela de 8 polegadas, navegador 3D e comandos do OnStar na tela.


Novo Cruze 1.4 Turbo Flex LTZ+ - R$ 107.450,00

O alto preço é justificado pela inclusão de vários itens tecnológicos e de segurança. Além de tudo o que trazem as versões LT e LTZ, esta possui indicador de distância do veículo da frente com alerta de colisão frontal, alerta de ponto cego, assistente ativo de permanência na faixa, farol alto adaptativo, sistema de estacionamento automático, banco do motorista com regulagem elétrica e carregador wireless de smartphones no console.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Distância entre-eixos foi para 2,70 m e porta-malas leva 480 litros

Entramos no Novo Cruze e saímos de São Paulo, capital em direção ao Campo de Provas de Cruz Alta, em Indaiatuba. Vou ao volante no primeiro trecho do test-drive e não encontro dificuldades em encontrar excelente posição de dirigir, graças aos comandos elétricos do banco do motorista e dos amplos ajustes de altura e distância da coluna de direção. Peço ao colega para conferir o espaço no banco traseiro bem atrás de mim, com meu metro e noventa, e surpresa! O aumento da distância entre-eixos para 2,70 m surtiu o efeito desejado.


Apesar dos poucos quilômetros rodados a unidade cedida pareceu muito bem disposta, mérito da ação do turbo desde as 1.500 rotações. Acelerações não são viscerais, mas gradualmente vigorosas, o sedã ganhando velocidade de forma suave porém decidida. O nível de conforto é surpreendente para a categoria; o silêncio a bordo e a quietude do motor ao girar é realmente coisa de carro premium. Tudo na cabine do Novo Cruze inspira luxo e conforto, bem ao estilo americano: couro em bancos, portas e até no painel, superfícies macias ao toque e plásticos de primeira qualidade. O layout do painel foi modernizado mas manteve a simetria que acompanha modelos da marca desde o primeiro Corvette, na década de 50.


Já na Rodovia dos Bandeirantes somos surpreendidos com apenas 2.100 rpm a 120 km/h e o silêncio reinando a bordo. A disposição do carro permanece e aproveitando a atmosfera de quietude resolvo avaliar o sistema de som JBL, acessório opcional, que reproduz as faixas com ainda mais fidelidade que o sistema original do Cruze, mas deixando a desejar quanto a faixas de equalização de frequências - são somente 3 (graves, médios e agudos), regulagem muito básica para um sistema premium de som. O MyLink 2, por outro lado, se tornou bem mais intuitivo e responsivo que antes, inclusive com pareamento agilíssimo de smartphones. O sistema conta com plataformas Android Auto e Apple CarPlay para espelhamento de celulares, que não tivemos tempo de avaliar.

Conforto a bordo, excelente acabamento e sistema de som premium são destaques na cabine do Novo Cruze

Ao chegar em Cruz Alta, a surpresa (conforme citamos no começo da reportagem) foi encontrar 2 concorrentes de peso para o Novo Cruze: o Toyota Corolla (nas versões XEi e Altis, com motor 2.0 de 153 cv e câmbio CVT) e o Audi A3 Sedan na versão de entrada Ambiente (com motor 1.4 TFSI de 150 cv e câmbio automático de 6 marchas). A proposta era justamente oferecer aos jornalistas uma oportunidade de constatar as qualidades e, segundo a Chevrolet, comprovar a superioridade do Novo Cruze frente à concorrência.

No primeiro circuito, com velocidade entre 50 e 60 km/h, uma lâmina d'água deveria ser enfrentada por todos os modelos numa manobra informalmente conhecida como "meio-alce" (inspirada na "manobra do alce", que simula o desvio de um grande objeto na pista): entre cones, os carros deveriam desviar rapidamente para a esquerda e retornar à trajetória. Com a iminente aquaplanagem os controles de tração e estabilidade seriam postos à prova.

Chevrolet ofereceu 2 concorrentes do Novo Cruze para avaliação

O Cruze demonstrou mais suavidade na intrusão das babás eletrônicas. Na primeira tentativa a frente aquaplanou imediatamente, mas foi rapidamente recolocada na rota com a traseira a acompanhando. Na segunda o carro quis sair de lado, mas a eletrônica levou o sedã para uma trajetória gradual em "s". Em nenhuma das tentativas percebo tendência à derrapagem, o carro permanecendo facilmente controlável - comportamento ideal para o motorista comum. Com o Audi, apesar de manter o controle e a trajetória, percebo uma intrusão muito mais desesperada da eletrônica, o volante tremendo e todo o carro se esforçando para evitar a derrapagem. É seguro assim como o Cruze, mas pode assustar o motorista menos afeito a respostas viscerais. O Corolla, sem controles de tração ou estabilidade nem em sua versão de topo, derrapou e rodou.

Testes incluiam "meio-alce" em pista com lâmina d'água e volta na pista de testes da GM

Já na pista de testes da GM os três modelos poderiam comprovar sua competência para filtrar imperfeições no asfalto em diversos níveis, para fazer curvas abertas e fechadas em velocidades altas ou baixas, em subidas e descidas. Novamente o Cruze demonstrou ser o mais equilibrado. Em resumo: Acelera, retoma e faz curvas bem, mas mantendo-se suave e neutro. Filtra imperfeições com competência, mantém a compostura e o silêncio a bordo mesmo em regimes mais extremos de condução e aceita alguma provocação, ainda que fuja do rótulo de esportividade. Para isso seria preciso introduzir paddle-shifters, já que as trocas manuais na alavanca obrigam o motorista a tirar muito as mãos do volante. Diz a Chevrolet, porém, que o comprador do Cruze não faz questão deste item.

No Audi a suspensão mais dura, os pneus mais largos e de maior aro do trio e a direção mais responsiva o tornaram o mais esportivo do trio, ótimo para curvas. A filtragem de imperfeições, porém, é deficiente; apesar de mais baixa a versão anterior, importada, era mais bem resolvida neste aspecto. O Corolla, por sua vez, filtra bem imperfeições, mas nos trechos mais danificados a traseira parece querer escapar - outra vez, sinto falta dos controles de tração e estabilidade. Faz bem curvas de alta, apesar de a carroceria adernar mais, mas seu fraco são as curvas fechadas e a falta de silêncio a bordo em acelerações e retomadas.


Uma das principais constatações, porém, não foi relativa à dinâmica. Observando as versões disponibilizadas dos concorrentes ficou muito clara a evolução do Cruze quanto ao refinamento do acabamento interno e à disponibilização de itens de conveniência. O Corolla Altis, com preço de tabela de R$ 104.900,00, tem montagem cuidadosa e é reconhecido por sua resistência mecânica, mas o layout de sua cabine frente ao que é apresentado no novo Chevrolet o envelheceu demais e a ausência de itens como controles de tração e estabilidade, sem contar as inúmeras outras features do Cruze, tornam seu preço ainda mais irreal. Já o Audi, que nesta versão custa R$ 109.990,00, pode conquistar por sua dinâmica e ainda carrega o status de ser um modelo de marca premium, mas padece com pouco espaço interno - essencial para um sedã familiar - e, assim como o Corolla, traz poucos itens de série frente ao novo concorrente.


A evolução do Cruze é realmente notável. Já existem reclamações sobre o preço do modelo em vários posts e fotos já compartilhadas nas redes sociais, mas o aumento tem ótima justificativa: conteúdo e evolução tecnológica. Bom de andar, confortável, espaçoso, muito seguro e o mais bem equipado sedã médio à disposição hoje no mercado brasileiro, seu futuro é promissor. Não será surpresa termos um novo líder no segmento nos próximos meses.

2 comentários:

  1. Eu comprei um Cruze LT em janeiro de 2017. Nota 10! É tudo isso que foi citado na reportagem. Recomendo.

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  2. Por que nao é considerado um premium audio esse som da jbl? fui na concessionaria e achei mó bom :/ agora estou em dúvida

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