sexta-feira, 30 de junho de 2017

VW JETTA 1.4 TSI - AVALIAÇÃO



Em novembro do ano passado a VW tomou a atitude que todo cliente do Jetta esperou por anos: trocar o velho (e beberrão, e lento, e ultrapassado, e ruidoso, etc, etc) motor 2.0 8v das versões de entrada pelo ótimo 1.4 TSI que também está nas linhas Golf e A3. O único senão é o fato de não ser flex, o que parece contrassenso considerando que tanto Golf quanto A3 bebem os dois combustíveis. Mas, a não ser sob o ponto de vista econômico, isso não chega a ser um problema.



A gente sabe que motores flex não conseguem ser tão bem acertados quanto aqueles movidos somente a gasolina. O Jetta entrega a primeira prova de seu bom acerto mecânico mostrando consumo comedido tanto na cidade, com média superior a 11 km/l, quanto na estrada, onde quase chegamos aos 15 km/l (mais precisamente, 14,9). Não é tão econômico quanto seu principal concorrente, o Cruze sedan, mas a marca não é nada desprezível para um sedã de 1.400 kg.


Outra prova de seu bom acerto está na forma como ele se comporta ao rodar. A suspensão, McPherson na dianteira e multilink na traseira, é mais moderna, refinada e equilibrada que a do Cruze e até que a do A3 Sedan produzido no Paraná, que abandonou o sistema multibraço e, por uma questão de redução de custos, adotou o eixo de torção. A direção com assistência elétrica também atende tanto ao cara que conduz de forma mais pacata quanto aquele que gosta de esportividade. O melhor é que agora a versão 1.4 apresenta comportamento semelhante ao do 2.0 TSI.


Falando em esportividade, ainda que não seja bruto como o 2.0 o Jetta 1.4 é forte, ágil e capaz de arrancar sorrisos nas acelerações e, especialmente, retomadas. Seu torque (25,5 kgfm a partir de 1.500 rpm) supera os números dos rivais Cruze e Civic Touring, ainda que a potência seja ligeiramente menor (150 cv no VW, 153 no GM e 173 no Honda). A transmissão automática de 6 marchas, por outro lado, é apenas satisfatória. É bastante suave nas trocas ascendentes, mas demora a pensar nas reduções e ainda dá um tranco por causa da redução precoce para a primeira marcha quanto o carro está perto de parar. A melhor alternativa é mesmo usar as borboletas atrás do volante.


Espaço é um dos fortes do Jetta. Com bom entre-eixos (2,65 m), o aproveitamento do espaço interno é dos melhores para 4 pessoas. O quinto passageiro, porém, não vai encontrar a melhor das acomodações não. Além da saída de ar condicionado para o banco traseiro, o ressalto no assoalho deixa o espaço para pernas bastante limitado. Pelo menos ele vai ter encosto de cabeça e cinto de 3 pontos, assim como todos os outros ocupantes. E o espaço para bagagens vai ser suficiente até para longas distâncias: são 510 litros disponíveis no porta-malas.


Aliás, esse conjunto de qualidades - espaço, bom desempenho, boa dirigibilidade e baixo consumo - somadas à boa oferta de equipamentos torna o Jetta 1.4 um excelente estradeiro. A lista tecnológica e de conveniência inclui ar digital dual zone com saídas para o banco traseiro e para o porta-luvas, teto solar elétrico (opcional), som de qualidade com 8 alto-falantes, uma boa central multimídia com GPS, computador de bordo, cruise-control, apoio lombar com regulagem manual para o banco do motorista, apoio de braço central dianteiro, comandos elétricos para vidros, retrovisores externos e travas, retrovisor interno eletrocrômico (opcional) e volante multifuncional revestido em couro.


Isso, sem falar na segurança. Controles de tração e estabilidade, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, sensores de chuva e crepuscular (opcionais), 4 airbags, Isofix no banco traseiro, assistente de partida em subidas, bloqueio eletrônico do diferencial, chave presencial com botão de partida (estranhamente, em formato canivete mesmo sem orifício no painel para enfiar a chave), 3 apoios de cabeça e 3 cintos de segurança de 3 pontos no banco traseiro estavam presentes na versão Comfortline que avaliamos.


É, sem dúvida, um bom carro. Mas não é perfeito e peca justamente em algo que o consumidor de sedãs médios faz absoluta questão hoje em dia: falta requinte. O Jetta é bem montado, conta com encaixes justos e não há nenhuma rebarba aparente na cabine. O problema é que o exterior já não chama mais atenção no trânsito e no interior há mais plástico do que a gente gostaria de ver, ainda que várias seções do painel sejam revestidas com espuma injetada, macia ao toque. E se antes havia a opção de revestimento claro para o interior desta versão, agora não há mais. A predominância de cores escuras, em vez de sofisticação, trouxe um ambiente monótono demais. Como se não bastasse o Jetta não é nenhum exemplo de arrojo de linhas, nem por fora e muito menos por dentro. Os bancos são revestidos em material que imita couro, mas que parece de baixa qualidade.


CONCLUSÃO

Outros carros do mesmo segmento têm cabines mais requintadas, como é o caso do Cruze LTZ (R$ 104.490,00), do Civic EXL (R$ 105.900,00) e do Nissan Sentra SL (R$ 102.900,00). Custando R$ 104.051,00 no site, o Jetta entrega nível de equipamentos semelhante, com alguma vantagem para um ou outro. Em design, porém, o Jetta perde para todos, já que Cruze e Civic são projetos novos e o Sentra foi remodelado recentemente. O face-lift do Jetta foi tão discreto que praticamente não mudou suas linhas.


Mas fato é que nenhum sedã médio nesta faixa de preço consegue entregar desempenho tão bom, nem mesmo o Chevrolet Cruze (que também tem motor 1.4 turbo e câmbio de 6 marchas). O torque abundante do motor empurra o VW de 0 a 100 km/h cerca de meio segundo antes que o GM, enquanto a dinâmica mais apurada torna o Jetta o mais esportivo dentre os 4, sem que isso redunde em prejuízo ao conforto. Quem quer um sedã que seja bom de dirigir e não está muito preocupado com luxo ou design pode ter no VW ainda uma ótima opção.

Veículo de teste cedido pela Caraigá

2 comentários:

  1. Gosto é gosto, eu acho o design desse Jetta um espetáculo. Não mudaria em nada, gosto de capô "grande", linhas firmes e harmoniosas. Só acho que deveria haver alguns pequenos detalhes para o diferenciar dos demais da linha de certos ângulos e ter um painel "próprio" também.

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  2. Quem quiser fazer mocinha vai de SUV. Jetta e5oea quem gosta de dirigir.

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