terça-feira, 19 de maio de 2015

CHEVROLET PRISMA LTZ AUTOMÁTICO - AVALIAÇÃO

Por Maximiliano Moraes
De Valinhos, SP


Até o ano passado o Chevrolet Prisma ocupava o segundo lugar no ranking de vendas de sedãs compactos no Brasil. Este ano, porém, até o mês de abril ele tem demonstrado uma reação surpreendente, com 1.200 unidades de vantagem sobre o segundo colocado e mais de 6.000 à frente do terceiro do segmento. Depois de passar uma semana avaliando a versão LTZ com câmbio automático não é difícil entender a razão da preferência dos consumidores por este simpático sedã.



Neste segmento há concorrentes maiores, ou mais potentes, ou mais estilosos, ou com mais tecnologia embarcada do que o Prisma. Por outro lado o tipo de consumidor que compra um sedã compacto hoje não aceita com facilidade abrir mão de uma qualidade em detrimento de outra; ele precisa ser suficientemente ágil, espaçoso, bonito e ter boa quantidade de itens de conveniência. Nisso é que o Chevrolet cativa: ele pode não ser o melhor em nada mas agrada em praticamente tudo - o motivo do "praticamente" você saberá mais adiante.

Design do Prisma agrada por não ser um simples "esticamento" de hatch

Seu design consegue ser atraente sem parecer um simples esticamento de um hatch, coisa que acontece com frequência entre sedãs pequenos; frente, lateral e traseira conversam muito bem. A dianteira da versão LTZ ainda guarda o charme dos faróis com as extremidades azuladas, que combinaram bastante com a cor Azul Sky da unidade que testamos. A traseira é um pouco "lisa", por assim dizer, mas o vinco que vem desde a lateral e passa pelas lanternas traseiras, com disposição simples de luzes mas contorno agradável, deixa o conjunto menos monótono. Rodas com aro de 16 polegadas cairiam melhor, mas as de 15 não são de todo ruins. No fim das contas o design geral agrada muitíssimo mais do que o de seu irmão maior, o Cobalt.

Banco traseiro bipartido e rebatível permite acessar o porta-malas de 500 litros por dentro

Falando em Cobalt, o Prisma não é assim tão menor. Seus 2,53 m de entre-eixos permitem acomodar bem 4 adultos, com espaço suficiente para ombros, cabeças e pernas inclusive no assento traseiro. Não que não haja espaço para um quinto passageiro, mas ele não vai tão confortável atrás porque há um pequeno ressalto central no banco e falta apoio de cabeça central. O porta-malas, por sua vez, comporta ótimos 500 litros e é possível acessá-lo por dentro, se necessário, graças ao rebatimento do banco traseiro - desde haja no máximo 2 pessoas atrás.

O interior guarda particularidades comuns à linha, como as deficiências de ergonomia (comandos elétricos de retrovisores distantes da mão, puxadores das portas dianteiras muito baixos e comandos dos vidros elétricos muito recuados) e o layout minimalista, que no Prisma LTZ cai bem pela alternância entre tonalidades de cinza escuro e marrom. Para uma versão de topo, no entanto, há plásticos demais e inaceitáveis bancos revestidos em tecido - concorrentes mais baratos trazem couro de série.

Layout minimalista do interior agrada no Prisma, que alterna tonalidades de cinza escuro e marrom

Pelo menos ele é bem equipado, ainda que, outra vez, não seja perfeito. O ar condicionado é analógico, a direção é hidráulica e não elétrica, a coluna tem regulagem somente de altura e não há GPS. Mas a central multimídia MyLink conta com pareamento via Bluetooth e tem áudio com boa qualidade sonora, entradas auxiliares e streaming, há computador de bordo, banco do motorista com regulagem de altura, vidros elétricos com one-touch nas 4 portas, antiesmagamento e subida automática a partir do acionamento do alarme, abertura remota do porta-malas, volante multifuncional revestido em couro, sensor de estacionamento traseiro, retrovisores e travas elétricas, banco traseiro rebatível e bipartido, rodas de liga leve com aro 15, faróis de neblina, ABS com EBD e airbag duplo.

Faróis com apliques azuis combinam bem com a cor Azul Sky da unidade testada

O valor de R$ 62.390,00 pedido pela versão LTZ automática está na média. Sua maior vantagem está no fato de ter um moderno câmbio automático de 6 marchas, contra 4 do Hyundai e transmissões automatizadas no Fiat e no VW. Só o HB20S Premium custa menos (R$ 61.815,00) com uma lista de equipamentos parecida (menos bancos revestidos em couro, opcionais), mas ele leva vantagem por ter sensor crepuscular, volante regulável em altura e profundidade e repetidores de seta nos retrovisores. O Grand Siena é mais caro (R$ 63.814,00), mas em sua versão de topo traz airbags laterais, teto solar, rodas com aro 16 e sensores crepuscular e de chuva. O Voyage é caro (R$ 64.884,00) e não traz tanto assim a mais a não ser paddle-shifts para trocas de marchas, rodas aro 16 e setas nos retrovisores, mas não tem central multimídia nem como opcional.


Mas lembra do "praticamente"? A vantagem do Prisma em relação ao câmbio se desfaz, infelizmente, pela falta de força do motor. O bloco 1.4 gera até 106 cv quando utilizando etanol e o peso do carro não é alto (1.031 kg), mas seria preciso mais torque (são 13,9 kgfm) para torná-lo mais ágil. A transmissão automática, uma evolução da utilizada na dupla Cobalt / Spin, é extremamente competente mas trabalha demais para compensar a falta de força; as trocas e reduções constantes que se fazem necessárias para manter o motor "acordado", digamos assim, incomodam com o tempo. Acelerações mais vigorosas deixam o motor um pouco estrangulado e em ladeiras o câmbio mantém a marcha e o giro lá em cima para garantir agilidade, em troca, levando mais ruído do propulsor para a cabine.


O Prisma não é para ser dirigido de forma dinâmica, portanto. Melhor é manter uma condução suave, quando ele se torna bastante agradável. As trocas de marcha são praticamente imperceptíveis assim e quando na estrada, a 100 km/h, o giro não ultrapassa as 2.500 rpm. Silencioso, a qualidade de rodagem é elogiável, com a direção dando conta do recado em velocidade e, sim, carecendo de um pouco mais de leveza somente em manobras. Admirável também é sua frugalidade, especialmente para um automático: a média de consumo registrada pelo computador de bordo ficou em 11,6 km/l de etanol.


Consumo baixo, seguro idem. A apólice mais em conta, fornecida pela Itaú Seguros, ficou em R$ 1.638,44 com franquia de R$ 2.625,00 para a região de Valinhos. A versão automática, porém, é ideal para um público muito específico, que enfrenta tráfego pesado todos os dias, necessita de espaço e gosta (ou só pode comprar) sedãs compactos. Mas mesmo na cidade, olhando friamente, o câmbio manual do Prisma não desagradaria tanto com seus engates fáceis e precisos e a embreagem de acionamento leve. Na estrada, empate técnico; o manual seria mais ágil e o automático, mais confortável. Ambos têm pouca sede de combustível e são baratos de manter. Por isso, apesar do tempo agradável com o LTZ automático, nossa escolha recairia sobre a versão manual.

Fotos: Maximiliano Moraes / Divulgação
Colaboraram: Eliane Fernandes (Aguiar Corretora de Seguros) / Eduardo Farah

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