quarta-feira, 6 de agosto de 2014

AUDI A3 SPORTBACK 1.8 TFSI S-TRONIC - AVALIAÇÃO





Gasolina acabando? Ele avisa e ainda traça a rota para o próximo posto. Para não perder nenhum detalhe da música, ele aumenta o volume do áudio à medida que você acelera. Quer encontrar mais facilmente o endereço? Não precisa selecionar letra por letra, basta desenhá-las no topo do botão circular abaixo da alavanca de câmbio. Use esse botão, aliás, para controlar tudo de forma intuitiva e prática. O discreto sistema MMI (Multi Media Interface) de entretenimento, cuja tela só salta do painel no momento da partida, oferece tantas opções para você "brincar" ao volante que é normal você se esquecer das tantas outras features do Audi A3 1.8 Sportback avaliado. E olha que não são poucas.




Lançado no Brasil ano passado, esta versão do A3 evoluiu de forma interessante. A substituição do motor 2.0 TFSI de 200 cv pelo atual 1.8 TFSI com injeção direta e turbo de 180 cv não causou grande perda de desempenho, já que o carro emagreceu 80 kg. Por outro lado, a Audi trabalhou para privilegiar a dirigibilidade (o Audi Drive Select se encarrega de mudar as respostas de volante, acelerador e câmbio), o conforto a bordo (a distância entre-eixos aumentou para 2,63 m e há espaço suficiente para 4 pessoas) e o consumo (além das 7 marchas, o modo Efficiency muda a programação do ar condicionado e permite mudanças de marcha em baixíssima rotação, sem falar no sistema Start-Stop).




Tudo isso tornou o Audi A3 1.8 Sportback um carro bem versátil. Foi na estrada estreitinha e cheia de curvas entre as cidades de Valinhos e Itatiba (SP), só com o motorista, marchas trocadas pelos paddle-shifts atrás do volante, direção elétrica e acelerador respondendo milimetricamente aos comandos em modo Dynamic e o corpo abraçado por rechonchudos apoios laterais no banco com ajustes elétricos, que seu lado mais nervoso e visceral se revelou. A face calma e familiar, por outro lado, ele mostrou em modo Comfort, com motorista e 2 crianças pequenas acomodadas em cadeirinha e assento de elevação - o banco traseiro conta com Isofix -, o porta-malas de 380 litros cheio e em velocidade constante na Anhanguera. Silêncio a bordo, suspensão macia, trocas de marcha imperceptíveis e consumo, segundo o computador de bordo, beirando os 18 km/l de gasolina.


Enquanto a versão anterior queria ter ares de perua, este se modernizou e assumiu o perfil de um verdadeiro hatch para bater de frente com o trio formado por Mercedes Classe A, BMW série 1 e Volvo V40. É incrível o que um DNA forte pode fazer por um carro: mesmo sem romper com as origens e guardando a discrição típica dos modelos da marca, seu carisma é inegável. As linhas são elegantes, com um vinco acima das maçanetas que sai dos faróis e percorre toda a lateral do carro até as lanternas traseiras sem interrupção, e outro mais profundo na parte inferior das portas para dar a ideia de movimento contínuo. A frente abriga faróis com luzes de xênon plus e leds diurnos que, juntamente com a enorme grade típica da Audi, deixam o A3 1.8 Sportback com cara de bravo. A traseira é mais "mansa" e as lanternas de led cumprem muito bem seu papel, mas não se deixe enganar: a ponteira dupla de escapamento dedura o que está embaixo do capô.


Quem compra um hatch premium sabe que o melhor está reservado a quem o dirige. Por um momento esqueça o consumo, o áudio, a central multimídia e só acelere, e o A3 Sportback recompensa com um empurrão bem digno. Uma delícia. Generosos 25,5 kgfm estão disponíveis entre 1.250 e 5.000 rpm para provocar sorrisos até nos momentos de molecagens, como saídas vigorosas em semáforos - dirá em ultrapassagens ou retomadas de velocidade depois de curvas. Para atingir os 100 km/h a partir da imobilidade ele gastará nada mais que 7,5 segundos e para frear o sistema conta com discos nas 4 rodas, mais ABS e EBD. Para as eventualidades, airbags frontais, laterais e para o joelho do motorista minimizam danos físicos. Nem quando provocado ele foge da trajetória; parece grudado ao chão por trilhos. Mas tudo é feito sob absoluto controle, como os alemães gostam: controle de estabilidade e tração, mais pneus 225/45 montados em rodas de liga leve com aro de 17 polegadas e um excelente acerto da suspensão independente, McPherson com braço inferior triangular na dianteira e multibraço na traseira.


Tão excelente, aliás, que mesmo com pouca altura o Audi A3 filtra as imperfeições do asfalto da cidade com desenvoltura incomum para o seu perfil. Dá para dirigir sem medo e com poucas batidas da suspensão. Só nas situações mais extremas, como em ruas de paralelepípedo ou muito cheias de desnível, é que o hatch sente um pouco - mas pudera, ele não é nenhum cross da vida. Outro problema são as rampas; o longo balanço dianteiro torna o carro não muito afeito a elas. É preciso cautela para encarar.



O interior do Audi A3 Sportback é um capítulo à parte. Visual minimalista, acabamento primoroso até nos detalhes e iluminação interna em led dão as boas-vindas aos ocupantes. Os bancos são de tecido, mas de boa textura e aparência. Os ajustes, até o lombar, são todos elétricos para o do motorista e alguns para o passageiro. A ergonomia também é exemplar, com os poucos comandos sempre à mão. Sim, porque quase tudo - telefonia, áudio, navegação e até o Drive Select - é controlado pelo botão seletor do sistema MMI. Sobram os comandos do ar condicionado dual zone no painel, mais o botão que desativa o controle de tração. O Drive Select também pode ser ativado por um botão ali, mas nem precisava. O volante revestido em couro tem boa pega e abriga comandos para o computador de bordo, a navegação e o áudio. Informação não falta. E o acesso a ela pode ser feito até por voz, com possibilidade de ajuste de seu timbre vocal para melhor compreensão da ordem. Seja na tela colorida do computador de bordo ou na do sistema MMI, tudo o que se passa com o carro é comunicado claramente ao condutor.




Tudo até aqui é tão perfeito que você pensa: "Caramba, esse carro é meu número". Isso, até você descobrir que todo pacote traz alguns defeitos, a começar pela ausência do módulo de levantamento dos vidros a partir das travas elétricas. A versão avaliada também não contava com sensor de estacionamento, mas parece que a Audi já disponibiliza o item, antes vendido somente como acessório nas concessionárias, como opcional. E para um hatch com alguma pretensão e aparência esportiva o A3 é quieto demais. O motor fala baixinho, mesmo em acelerações mais fortes, e nem o som do escapamento ajuda.


O preço também assusta. A versão avaliada (Ambition 1.8 TFSI S-Tronic) custa, na tabela, R$ 130.500,00 - alto até para um hatch premium. Com os opcionais, que incluem teto solar panorâmico elétrico, sensores de chuva e luminosidade e retrovisor interno antiofuscante, mais o sistema de entretenimento e navegação MMI Plus, o preço salta para R$ 150.400,00. Como o Audi A3 provavelmente não será o primeiro veículo da casa é de se pensar se vale a pena gastar tanto em sua aquisição. Uma coisa é fato: independente do valor, a Audi acertou a mão nele. O A3 1.8 Sportback consegue fazer as vezes de veículo para o trabalho, para o lazer e, por que não, até para viagens curtas com uma família pequena. Tanta versatilidade pode realmente ter seu preço.

Um comentário:

  1. Um belo carro ,nem tanto pelo preço , mas a munutençao dele é muito cara.

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